Linux ou Windows: qual escolher
O que muda na prática entre uma VPS Linux e uma Windows — consumo de recursos, forma de acesso e tipo de aplicação.
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Na maioria dos casos a escolha não é uma questão de preferência. Ela é definida pela aplicação que vai rodar ali. Se o software só existe como instalador .exe ou .msi, ou depende do .NET Framework clássico, do IIS ou do SQL Server, você precisa de Windows. Se é uma aplicação web em PHP, Node, Python, Ruby, Go ou Java, ou qualquer coisa que rode em container, Linux é o terreno natural — e vai custar menos recursos para o mesmo trabalho.
Este artigo cobre o que muda no dia a dia depois da decisão: consumo de recursos, forma de acesso, automação e o custo de trocar depois.
Comece pela aplicação, não pelo sistema
Faça a pergunta na ordem certa: o que precisa rodar, e esse software tem versão para o sistema que você está considerando?
Casos que exigem Windows de fato:
- .NET Framework 4.x (o clássico, não o .NET moderno multiplataforma)
- IIS com módulos específicos, ou aplicações ASP clássicas
- SQL Server em edição que você já licencia para Windows
- ERPs, sistemas contábeis e fiscais brasileiros distribuídos apenas como instalador Windows
- Serviços de domínio Active Directory
- Aplicações desktop que precisam de sessão gráfica interativa, acessadas por RDP
Casos em que Linux é a escolha padrão:
- Stack web com nginx ou Apache na frente de PHP, Node, Python, Ruby, Go
- PostgreSQL, MySQL/MariaDB, Redis, Elasticsearch
- Docker e qualquer orquestração de containers
- .NET 6 ou superior, que roda em Linux sem restrição
- Automação com Ansible, cron, systemd, scripts de shell
Se a resposta for "roda nos dois" — cada vez mais comum — vá de Linux. O resto do artigo explica por quê.
Consumo de recursos
Um Linux de servidor sem interface gráfica é enxuto. Uma instalação típica de Ubuntu Server ou Rocky Linux ocupa poucos GB de disco e consome algo entre 150 MB e 400 MB de memória em repouso. Praticamente tudo que você contratou fica disponível para a aplicação.
O Windows Server com Desktop Experience é outra ordem de grandeza: a interface gráfica, os serviços padrão e o antimalware consomem tipicamente 1,5 GB a 2 GB de RAM antes de você instalar qualquer coisa, e o disco base fica na casa das dezenas de GB — sem contar o que o Windows Update acumula ao longo dos meses. A edição Server Core, sem GUI, reduz bastante esse piso, mas nem todo software de terceiros aceita ser instalado nela.
Na prática, isso muda o tamanho mínimo viável:
| Linux sem GUI | Windows Server | |
|---|---|---|
| Memória mínima realista | 1 GB para algo simples | 4 GB para não sofrer |
| Disco base | poucos GB | dezenas de GB, e cresce |
| Reservado ao sistema em repouso | 150–400 MB | 1,5–2 GB |
| Reinícios por atualização | raros, você escolhe a janela | mensais, na prática obrigatórios |
Se você estava planejando uma VPS de 2 GB para Windows, refaça a conta. O critério de dimensionamento é o mesmo dos dois lados — medir antes de aumentar — e está detalhado em como escolher CPU, memória e disco.
Forma de acesso
No Linux você entra por SSH: um canal de texto, na porta 22, que aceita chave pública em vez de senha e serve tanto para digitar comandos quanto para copiar arquivos e criar túneis.
ssh root@203.0.113.10
scp deploy.tar.gz root@203.0.113.10:/tmp/O passo a passo, incluindo o que fazer quando a conexão é recusada, está em acessar sua VPS por SSH.
No Windows o acesso normal é RDP, na porta 3389: uma sessão gráfica, com mouse e área de trabalho. Do Windows você usa o mstsc; do Linux ou macOS, um cliente como o FreeRDP.
# Linux/macOS, com FreeRDP
xfreerdp /v:203.0.113.10 /u:Administrator /dynamic-resolutionPara automação, o equivalente ao SSH é o PowerShell remoting sobre WinRM (portas 5985 e 5986). O Windows Server moderno também inclui um servidor OpenSSH opcional, o que aproxima os dois mundos.
Nos dois casos a EasyOps oferece console no browser — VNC, terminal SSH e RDP direto da aba — o que resolve a situação em que você perdeu o acesso pela rede e precisa entrar de outra forma.
Um aviso concreto sobre RDP: a porta 3389 aberta para a internet inteira recebe tentativas de força bruta continuamente, e senhas de Administrador fracas são comprometidas em horas. Restrinja a origem por firewall ao seu IP ou à sua rede antes de subir qualquer coisa em produção — veja configurar regras de firewall. O mesmo raciocínio vale para a porta 22, com a diferença de que no Linux você pode desligar o login por senha por completo.
Operação e diagnóstico
As ferramentas de investigação são diferentes, e vale saber as suas antes de precisar delas.
# Linux
top # processos e carga
free -h # memória real x cache
df -h # espaço em disco
iostat -xz 1 # latência e saturação de discoNo Windows, o caminho equivalente passa por Gerenciador de Tarefas, Monitor de Recursos, Visualizador de Eventos e cmdlets como Get-Process e Get-Counter. A lógica de investigação é a mesma dos dois lados: descobrir se o gargalo é CPU, memória, disco ou rede antes de aumentar o plano. O método está em VPS lenta: como diagnosticar.
Duas diferenças operacionais que aparecem cedo: no Linux você atualiza pacotes com apt ou dnf e reinicia quando quiser; no Windows, o ciclo de atualizações mensal costuma exigir reboot, e você precisa de uma janela de manutenção prevista. E no Windows há licença de sistema operacional embutida no custo da instância — compare os valores em preços.
Trocar depois não é uma edição, é uma migração
Não existe conversão de Linux para Windows no mesmo disco. Trocar de sistema significa reinstalar — o que apaga tudo que está no disco — ou, o caminho mais seguro, criar uma segunda VPS com o sistema novo, migrar dados e aplicação, validar, e só então desligar a antiga.
Por isso vale gastar dez minutos nessa decisão agora. Se ainda houver dúvida sobre compatibilidade de um software específico, é mais rápido perguntar do que descobrir depois de migrar: falar com o suporte.