Criar sua primeira VPS
As decisões que você toma ao criar um servidor virtual — região, sistema, tamanho e forma de acesso — e o que cada uma significa.
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Uma VPS é um servidor virtual só seu: CPU, memória e disco reservados, acesso root e liberdade para instalar o que quiser. Criar uma leva menos de um minuto. A parte que exige atenção não é o provisionamento — é o punhado de decisões que você toma antes, porque algumas são difíceis de desfazer depois. Este artigo percorre essas decisões na ordem em que aparecem.
Antes de começar: tenha a chave SSH pronta
Se você vai rodar Linux, gere o par de chaves antes de criar o servidor. É a diferença entre um servidor que nasce com login seguro e um que nasce aceitando senha na porta 22 — e sendo testado por bots minutos depois.
ssh-keygen -t ed25519 -C "seu-email@exemplo.com"Aceite o caminho padrão (~/.ssh/id_ed25519) e defina uma passphrase. Isso cria dois arquivos: a chave privada, que nunca sai da sua máquina, e a pública, que você entrega ao servidor.
cat ~/.ssh/id_ed25519.pubCopie essa linha inteira — ela começa com ssh-ed25519 e termina no comentário. É esse conteúdo que você cadastra na sua conta para que o servidor já suba com ela instalada. O passo a passo completo, incluindo desligar o login por senha, está em usar chaves SSH em vez de senha.
Se você perder a chave privada, você perde o acesso. Não há como recuperá-la a partir da pública. Guarde-a com o mesmo cuidado que daria a uma senha de banco.
Região
A EasyOps opera em São Paulo. Para público brasileiro, isso é o que você quer: a latência entre um usuário no Brasil e um servidor no Brasil fica na casa de poucas dezenas de milissegundos, contra 120 ms ou mais até a costa leste dos Estados Unidos. Em uma aplicação web que faz várias idas e voltas por página, essa diferença é visível.
Região também não é só desempenho. Dados que ficam no país simplificam a conversa sobre LGPD e evitam a discussão de transferência internacional. Se você vai usar Object Storage junto com a VPS, mantenha os dois na mesma região — o caminho de rede fica mais curto e a latência menor.
Sistema operacional
A escolha de sistema é a mais custosa de mudar: trocar depois significa recriar o servidor, não reconfigurá-lo.
| Critério | Linux | Windows Server |
|---|---|---|
| Acesso | SSH e console no browser | RDP e console no browser |
| Consumo em repouso | poucas centenas de MB | 1,5 a 2 GB só de sistema |
| Custo | sem licença | licença embutida no preço |
| Encaixe natural | web, API, banco, container | .NET legado, IIS, MS SQL Server |
Na prática: escolha Windows quando a sua aplicação exige Windows. Para todo o resto, Linux entrega mais aplicação por real, porque o sistema reserva menos memória para si. Se a decisão não está óbvia, Linux ou Windows: qual escolher trata os casos de fronteira.
Escolhendo Linux, prefira uma versão LTS (Ubuntu LTS, Debian estável, Rocky Linux). Elas recebem correções de segurança por anos, o que evita você ser forçado a migrar de distribuição no meio de um projeto.
Tamanho: CPU, memória e disco
Aqui vale a regra oposta à do sistema operacional: comece modesto. CPU e memória você adiciona sob demanda, com uma janela de manutenção curta. Superdimensionar no dia um é pagar por capacidade que fica ociosa por meses.
Os três recursos falham de formas diferentes, e isso muda a prioridade:
- Memória insuficiente derruba processos. O kernel Linux aciona o OOM killer e mata o que estiver consumindo mais — normalmente o seu banco de dados. Falha abrupta.
- CPU insuficiente deixa tudo lento, mas nada morre. As requisições ficam na fila. Falha gradual e tolerável.
- Disco cheio é o pior dos três: logs param de escrever, o banco recusa transações e serviços entram em estado inconsistente.
Ou seja: seja generoso na memória, econômico na CPU e vigilante com o disco. Para dimensionar com números em vez de intuição, veja como escolher CPU, memória e disco.
Um ponto de atenção: aumentar disco é normalmente possível, reduzir não é. Se você provisionar 200 GB e usar 20, você fica pagando pelos 200.
Rede
Toda VPS sai com IPv4 e IPv6. O IPv4 é o endereço que você usa para conectar e para apontar o domínio; o IPv6 vem junto e é bom habilitar no seu servidor web desde o início, já que boa parte das operadoras móveis brasileiras entrega IPv6 nativo.
Se o endereço público for virar parte da sua infraestrutura — registro DNS, allowlist de um parceiro, configuração de um cliente — considere um Floating IP em vez do IP fixo da máquina. Ele se anexa e se move entre servidores, então você pode recriar a VPS por trás dele sem que ninguém precise atualizar nada.
Depois que o servidor sobe
Anote o IP e conecte. O detalhamento por sistema operacional, e o que fazer quando a conexão é recusada, está em acessar sua VPS por SSH.
ssh root@203.0.113.10Na primeira sessão, faça três coisas antes de instalar qualquer aplicação.
Atualize o sistema. A imagem tem a idade do último build, e as correções de segurança acumuladas desde então importam.
apt update && apt full-upgrade -yCrie um usuário comum com sudo e pare de trabalhar como root. Errar um comando como root não perdoa.
adduser deploy
usermod -aG sudo deploy
rsync --archive --chown=deploy:deploy ~/.ssh /home/deploy/Ajuste o fuso horário, para que os logs batam com o horário em que as coisas realmente aconteceram.
timedatectl set-timezone America/Sao_PauloSó então feche a rede. Aqui existe risco real: uma regra de firewall aplicada na ordem errada tranca você fora do servidor, e o único caminho de volta é o console no browser. Libere o SSH antes de ativar qualquer bloqueio, nunca depois:
ufw allow OpenSSH
ufw enableSe você mudou a porta do SSH, é essa porta que precisa estar liberada — OpenSSH só cobre a 22.
O que você ainda não tem
Um servidor novo não tem proteção de dados. Antes de colocar nele algo que importa, resolva duas coisas: agende backups diários com retenção definida, e adquira o hábito de tirar um snapshot antes de qualquer mudança arriscada — atualização de versão, migração de schema, troca de configuração. O snapshot é a saída de emergência de cinco minutos; o backup é a rede de segurança de longo prazo. Os dois custam pouco perto de reconstruir do zero.